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Uma viagem pela geração própria de energia

Dada as condições das tecnologias e a forma como o mercado energético vem evoluindo, podemos prever uma série mudanças às quais o modelo elétrico deverá se adaptar.



Por sorte, tive a oportunidade de acompanhar e fazer parte da evolução da energia solar fotovoltaica em vários países, como Espanha, Chile, Argentina e Brasil - e desde a fase mais inicial, em alguns deles.

Embora as condições - climáticas, regulatórias e econômicas - sejam bem diferentes, o processo de desenvolvimento foi bem semelhante. E, do mesmo jeito, ainda que agora não seja tão evidente, o final do caminho será sempre das instalações de geração própria de energia.

Vejamos o porquê.

Ganhando espaço

A geração de energia por fontes renováveis sempre aparece nos mais diferentes mercados de um forma muito pessoal, normalmente por meio de depoimentos e a partir de projetos pilotos de algumas instituições e universidades.

Mas os compromissos ambientais internacionais, além da vontade de reduzir os custos com a energia (inclusive pela dependência de combustíveis fósseis para aqueles países que não são produtores), animam os governos a incentivar a construção de projetos fotovoltaicos de grande escala, mediante licitação, para as quais temos grandes exemplos na Espanha e Argentina.

Em queda

Outro fator que influenciou essa equação foram os preços de geração que alcançaram valores impensados, especialmente devido a dois fatores:

  • diminuição do custo da tecnologia;

  • economia de escala, em vista das grandes potências construídas (50 MWp, 100MWp e até 300MWp e 500MWp em alguns casos).

Essa última modalidade de construção tem muitas vantagens, uma vez que permite que as novas tecnologias consigam competir diretamente com as convencionais.

Não é necessário modificar os mercados elétricos, nem interferir de forma exagerada nas linhas de transmissão elétricas.

Mudanças que virão

Dadas as condições das tecnologias e a forma como o mercado energético vem evoluindo, podemos prever uma série mudanças que acontecerão com o tempo e às quais o nosso modelo elétrico deverá se adaptar:

  • Os preços dos painéis fotovoltaicos continuarão caindo, enquanto sua potência seguirá aumentando; mas, em algum momento, os valores devem estabilizar, uma vez que já estamos falando de uma commodity;

  • As energias renováveis não-convencionais (solar e eólica) não geram 100% de sua potência durante as 24 horas do dia. Se queremos matrizes elétricas renováveis, a potência instalada deverá aumentar entre 33% e 50% acima das necessidades reais do sistema elétrico, a fim de garantir que demanda e geração de energia caminhem juntas;

  • Para que a potência instalada aumente, os sistemas de transmissão também deverão ser reforçados;

  • As baterias associadas aos sistemas fotovoltaicos, assim como os veículos elétricos, também apresentação queda nos preços, transformando-se em tecnologias competitivas e rentáveis;

  • O consumo de energia dos países aumentará devido, entre outras razões, à conversão de muitas atividades (atualmente movidas por combustíveis fósseis, por exemplo) a fontes elétricas;

  • A tendência é que fique cada vez mais difícil obter as permissões necessárias para a construção de grandes projetos; Afinal, ninguém espera, por exemplo, que fique mais fácil conseguir autorizações ambientais nos próximos anos...

O que esperar

Agora que temos todos os ingredientes, podemos pensar alguns cenários futuros.

Se o preço da tecnologia ficar estável, a única maneira para que os valores da geração continuem caindo será construir projetos cada vez maiores. Mas sendo um tecnologia de captação que depende de grandes áreas de terrenos, não será fácil conseguir permissões para tais construções, que também ficarão afastados dos consumidores (cidades). Consequentemente, as linhas elétricas nas quais estarão conectados os projetos deverão ser capazes de admitir grandes potências e realizar seu transporte.

Eis que estamos diante de um paradoxo:

Se para baixar os custos da geração de energia é necessário fazer a a inversão da transmissão, o consumidor pode não ver mudança no preço da energia.

E é nesse ponto que tal consumidor optará por quais caminhos seguir, sendo a geração própria (autoconsumo) a mais "óbvia" entre elas.

Vantagens de ser um produtor

  1. A energia solar fotovoltaica é uma tecnologia modular, que pode ser instalada desde um único painel até milhares. O que determinará a quantidade será o próprio consumo;

  2. Produzindo a energia a partir do próprio local de consumo (independente ou compartido), os custos de transmissão são anulados;

  3. As baterias devem entrar no jogo mais rápido do que estamos esperando e a rede elétrica ficará unicamente como uma retaguarda para dias nublados, picos de potência, entre outras situação adversas;

  4. O financiamento deixará de ser um obstáculo. Existirão diversas alternativas (ainda mais que atualmente) para esse tipo de projeto, devido `alta taxa de retorno do investimento.

Em outras palavras:

A geração própria será a alternativa mais competitiva dos pontos de vista técnico e econômico, e uma ferramenta-chave que permitirá aos países se livrarem do carbono por completo.

A viagem pela energia renovável tem muitas paradas, mas um único destino: a geração própria.


Diego Loureiro

CEO|Sunalizer

diego.loureiro@sunalizer.com

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